Naquela tarde,
o sol brilhava mais.
Não sei explicar o motivo.
Minha alma estava machucada
e eu só queria vida.
Um amor, apenas.
Eu me perguntava:
o que faço aqui?
Havia tantos lugares possíveis,
mas ali era o lugar certo.
Não esqueço o instante em que a vi.
A escuridão do meu peito se dissipou.
Meus olhos — eu sei — devem ter brilhado.
Pedi a Deus, em silêncio,
permissão por um segundo.
O amor tinha chegado.
Numa dinâmica simples,
as mãos se juntaram.
Havia pressa.
Eu estava machucada fisicamente também.
E ainda assim — ou por isso —
aquele foi o momento,
a imagem mais bela até então.
Tinha pressa.
A bipolaridade estava a mil.
Sem medicação, sem diagnóstico.
Tudo era sentido em excesso.
E uma vontade enorme de viver
me atravessou inteira.
Minha forma de sentir parecia estranha.
Passei por louca.
Tivemos brigas,
mas em cada uma delas
eu sabia:
não conseguiria mais viver
longe daquele amor.
Eu assustava.
A psicofobia é uma merda.
Todo preconceito é uma merda.
E eu amava descontroladamente.
Meu peito explodiu.
Não existia vida possível
sem aquele amor.
E foi assim até a morte.
Mesmo no descontrole, talvez,
tive um amor que transpôs barreiras.
Lutei por nós até o último segundo.
Só quis ser feliz.
E fui — por um bom tempo.
Felicidade eterna não existe:
pela finitude do ser,
pelo desgaste das relações humanas.
Eu não a encontrei pensando em perdê-la.
O poder do amor nunca destruiu minha fé.
Não caminhei pela estrada para perder.
E tudo o que aconteceu
foi apenas um momento no tempo —
um que deixei para trás,
pelo amor.
Faria tudo novamente.
Exatamente como foi.
Não trocaria nada,
mesmo sofrendo.
Porque quando encontrei o amor,
não era para um momento.
Era meu amor.
Um amor abençoado.
Cheguei onde nunca achei que deveria estar.
Justamente porque,
naquela tarde ensolarada,
fui levada até lá
pelo poder da fé,
pelo poder do amor.
Meu amor abençoado.
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