Fernanda Pietragalla
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Textos

TARDE DE NATAL



Escrevo este texto com 2 anos de atraso. Quando me veio a ideia a mente, estava num momento eufórico, quando ia modificar algumas coisas em minha vida profissional. Porém a morte foi implacável com a vida e levou minha amada tia de meu convívio diário. Por este motivo, acabei postergando a postagem  de meus pensamentos.

Época de Natal, e como trabalho em escola, todos os anos as crianças fazem um passeio de trenzinho pelo bairro. E algo sempre me chamou atenção neste evento: as pessoas.

Sim, as pessoas. Ao verem as crianças felizes, acenando para todos por onde passam, por alguns míseros segundos, percebo a criança interior brotando dos adultos. Desaparecem as carrancas, a pressa, o mau humor. Vejo as pessoas correspondendo aos acenos e fico me perguntando por quê não acenamos mais vezes para quem anda pela rua, por quê não fazemos uma breve parada em nosso serviço para olhar ao que está ao redor.

Parece que acantece uma mágica e o Natal começa a ter um significado verdadeiro. O nascimento de Jesus traz a capacidade do ser humano, de fato, humanizar-se. Em meio as músicas natalinas, as crianças cantando o nascimento do Filho de Deus,  nosso irmão, deixa por onde passa um clima de paz e serenidade.

Nosso Natal é tropical, mas mesmo assim , a fantasia do Papail Noel acaba tendo sentido, pois faz momentaneamente, a tarde transformar-se em noite de Natal.

Cada idoso, cada comerciante, cada funcionário de uma loja, naquele momento, volta a ser criança, e com certeza, brotam  as lembranças individuais. Um sonho realizado ou ainda por realizar-se. Todo mundo pára, todos olham, e o espanto toma conta das ruas.

Quem são eles? Que buzina é essa ?

São crianças, que lentamente despedem-se da infância, para trilhar o caminho de suas vidas, pessoais e educacionais.

Eu, já não mais criança, também trago minhas doces recordações. Saudes de um tempo que é muito curto na vida dos seres vivos, e quando o maior desejo é ser adulto.  Mal sabemos que um dia desejaremos ardentemente que a infância volte, mas isso é impossível. Que saudade dos familiares que já partiram dessa vida, que saudade da espera de um brinquedo, que era a realização de um desejo ardente. A espera era gostosa, pois no fundo, sabia que o presente chegaria.

Saudade, essa bendita palavra que açoita o nosso interior nessa época do ano, fazendo com que tudo pareça insuportável. Saudade de pegar o capim que minha tia dizia que era “para os cavalinhos do Papail Noel” Que dor, essa saudade. Também fui criança.

O objetivo desse texto é chmar a atenção das pessoas para que façamos mais natais em nossos dias, que a rotina seja menos cruel, e que olhemos para dentro de nós para enxergarmos nosso semelhante.

Dessa atividade toda, o que me marca mais são esses momentos, os olhares expressando  devaneios. O percurso do trem é curto, mas aquele que percorremos em nossas lembranças, é infinitamente maior . O tempo e o espaço atingem uma dimensão extraordinária, nas mãos pequenas que acenam felizes, pois o Papai Noel chegou.


Fernanda Pietragalla
Enviado por Fernanda Pietragalla em 12/12/2011
Alterado em 19/10/2012
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