Fernanda Pietragalla
Expressamos na escrita, o que possuímos na alma.
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Textos

Durante o ano de 2010 senti uma enorme tristeza, mesmo depois de ter saído da escola em que trabalhava.
Era algo estranho, que me assustava e dava um medo aterrorizante, do qual eu queria fugir de toda forma.
Em novembro, minha tia que sempre teve problemas pulmonares, foi levada ao hospital, pois estava perdendo peso em demasia. Chegara aos 37 quilos e andava extremamente fraca. Ficou hospitalizada por 16 dias, recebeu alta, ficando em casa por mais ou menos 36 horas. No dia 28 de novembro, ela pediu para retornar ao hospital, de onde nunca mais voltou para casa. Estava debilitada com 32 quilos. Ela sempre foi forte, resistiu a várias pneumonias e porque que dessa vez deveria ser diferente ?  Ela que sempre foi uma fortaleza, que lutou sempre na vida, e esteve comigo desde que respirei sozinha pela primeira vez, iria vencer novamente seu pulmão e voltaria para casa. Isso era o que eu pensava, o que desejava. Ao saber que ela havia falecido, a sensação de estar perdida, sem entender nada o que se passava a minha volta, sentia o momento que temi: o de viver sem ela ao meu lado. Senti um calor subindo e um desespero indescritível. Minha tia morreu. Minha tia desncarnara e eu sonhei com tudo isso acontecendo minutos antes.
Zizi, apelido que coloquei nela desde criança, já não habitava o mundo dos vivos, está  numa dimensão que não posso estar e fiquei aqui, com cara de idiota, tentando entender essa separação chamada morte, que todos nós passaremos e estaremos nas mãos de pessoas com as quais não tivemos nenhum contato enaqunto vivos, poisa aluém nos colocará para o repouso eterno, num túmulo.
Então, a morte tornou-se um tema que me acompanha no momento, pois mesmo sabendo que passarei por ela, aflige meu coração. Sinto medo da separação, de não estar mais no convívio com as pessoas que amo. Mesmo ela sendo democrática ( ricos e pobres morrem) dizer um adeus, um até breve que seja, é um tema que o ser humano, com raras excessões, conseguem engolir de forma resignada.
Estou nesse processo, de entender e aceitar a separação de minha tia, eu a amava e amo muito, não está mais comigo; está no jardim que sempre desejara estar, sem dor, sem sofrer, sem susto, ao lados de nossos familiares que já se foram.
Eu permaneço aqui, para cumprir minha missão e espero que ao chegar minha hora, que ela me leve em seus braços.
O que me  alivia é saber que ela não sofre mais e acreditar que há uma vida além desta que conhecemos, que há uma vida depois da vida e que esse texto será apenas uma recordação da minha existência neste planeta.


Fernanda Pietragalla
Enviado por Fernanda Pietragalla em 01/04/2011
Alterado em 19/10/2012
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