Fernanda Pietragalla
Expressamos na escrita, o que possuímos na alma.
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Meu Diário
29/11/2006 14h44
ALUNOS QUE ENSINAM
Vivi nas últimas 24 horas, umas das emoções mais fortes e gostosas sentidas até hoje. Meus alunos irão para outras escolas, pois terminaram o ciclo I do Ensino Fundamental. Essa minha 4ª série foi umas das mais queridas que tive.
De uma forma muito espontânea, quiseram homenagear-me e vi nitidamente a cena do filme Sociedade dos Poetas Mortos, onde eles subiam nas carteiras. Gritavam meu nome, emocionaram-me e emocionaram-se. Percebi que minha luta não foi em vão, ao tentar impor limites necessários na disciplina para que favorecesse a aprendizagem.
O que me chamou mais atenção, durante esse ano letivo, foi a qualidade de aluno, melhor dizendo, pessoas, em processo de formação. Tentei transmitir-lhes amor, caridade, respeito acima de tudo.
Foi maravilhoso ver a bagunça, a desordem que ocasionaram, pois ficou marcado, que suas almas foram tocadas por uma luz que ajudei a acender. Vi pessoas alegres, ávidas de vida, caminhando para um futuro, que desejo , seja promissor a todos.
Vi beleza, pureza, alegria. A vida começa a florescer em seus dias de adolescentes, e uma mistura de infância dando adeus. Agora tudo é festa, passar de ano, Natal, Ano Novo, até chegar a angústia da mudança, do desconhecido.
Essas crianças deixaram-me mais rica, rica em amor, em sabedoria. Pensava eu, que meus dias de brilho profissional tivessem acabado. O brilho do prazer em dar aula. Estar muitos anos em um mesmo lugar, por vezes, torna-nos melancólicos, e eles quebraram essa melancolia. Para mim, tudo na escola que trabalho, traz lembranças de uma juventude repleta de sonhos e desejos não concretizados.
Mas chegou a hora. Eles vão, eu fico e todos esses momentos fugazes de alegria, terão tornado uma foto em nossas lembranças. Peço a Deus que dê a todos eles muita felicidade, que sejam pessoas boas, fraternas, solidárias. Que eu tenha deixado neles a semente do respeito, e do amor e que quando eu for uma lembrança deles, que seja de alguém que os amou muito e fez o seu melhor para poder educar, tanto para a escola, como para a vida. Se assim, algum deles lembrar-se de mim, terá valido a pena ser professora e viver.
Aprendi muito com eles. Tornei-me uma pessoa melhor.


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Publicado por Fernanda Pietragalla em 29/11/2006 às 14h44



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