Fernanda Pietragalla
Expressamos na escrita, o que possuímos na alma.
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Meu Diário
13/08/2014 16h52
FALANDO DE AMIGOS

 

Tenho grandes amigos, de longas datas. Visitando minha ex escola, tive uma sensação esquisita.  Parecia mergulhar no passado de minhas lembranças. Isso mesmo, passado de minhas lembranças.

Vi minha juventude num rastro de pólvora em meus pensamentos. Lembrei das confidências trocadas com amigas, no período noturno enquanto esperava para fazer conselho de classe.   Lembrei da ansiedade de resolver minha vida pessoal, e o quanto idealizei  o amor. O quanto desejei esse amor. É triste quando olhamos para nós mesmos, e se percebe que a vida passou pela gente, e não foi vivida. Fiquei a maior parte do tempo nas minhas idealizações e de concreto mesmo , nada. Deixei a vida passar, pois não vivi o presente, enquanto presente. Vivi num futuro que só havia em minha mente.

Mas no meio disso tudo, convivi com pessoas que me marcaram profundamente. Suportei dar aula durante tanto tempo devido a convivência com essas pessoas.  Ora de maneira afetiva, ora conflituosa, o fato é que éramos um time, uma equipe, um elenco. E quando parti, deixei para traz  esse conforto emocional e que tanto apaziguava minha alma.  Foram bons anos, e que em meu íntimo queria que nunca terminasse.

E para meu desespero, quem precisava chutar o pau da barraca para ir adiante, era eu, pois precisamos sobreviver de alguma forma, seria eu. E assim foi. Saio da escola, onde permaneci praticamente dezenove anos.  e como fazer,  me despedir, virar a costa e ir embora ? tudo isso me assombrou por um anos, ano que desejei que nunca terminasse para não ter que tomar a decisão. Até que chegou o dia, momento para mim dramático, gostem ou não. Foi um drama em minha vida sim.

Escrevo tudo isso agora por conta de olhar ao redor e sentir uma “solidão de amigos”. Tenho outros amigos. E de repente, a gente só está reunido nas páginas das redes sociais, onde estamos lado a lado e não nos falamos, não nos tocamos, não interagimos. Estamos juntos e separados, quando estivemos “ juntos e misturados”. Então observo e e bate um vazio, uma saudade que não tem por onde terminar, e confesso, não sei conviver com isso. Não há um dia em que meus amigos não estejam em meus pensamentos e a eles envio energias de amor, carinho, afeto e gratidão. Gratidão por terem feito minhas manhãs, tardes e noites alegres, quando provavelmente, nenhum deles imaginem isso.

Nas redes sociais a gente permanece, mas não tem a convivência e o tempo vai distanciando as pessoas, e inevitavelmente, seremos uma lembrança vista pelo retrovisor a ficar  distante e menor. E não vou deixar de falar, que não sei lidar com tudo isso, sei apenas o que  vai em meu coração que acaba derramando todo dia uma lágrima de saudade.  Minha vida hoje está melhor, graças Deus, mas existe uma lacuna, várias lacunas, cada uma com um nome, que segue junto comigo. Definitivamente, não sei lidar com perdas, separações e meu sentimento sempre foi senhor dos meus atos. Só sei amar exageradamente, e sentir, também.

 


Publicado por Fernanda Pietragalla em 13/08/2014 às 16h52
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